Arnaldo Júnior - Do CorreioWeb
O 1º Tribunal do Júri de Ceilândia/DF condenou, nesta terça-feira (30/6), Valéria Dutra da Silva a pena de 20 anos e oito meses de prisão pela morte das suas filhas por envenenamento. O crime ocorreu em setembro de 1989. A ré, foragida e presa em janeiro deste ano, não poderá recorrer da sentença em liberdade.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a mãe das crianças dissolveu o conteúdo de um frasco de 150 ml de veneno para ratos e deu às filhas, provocando suas mortes. A promotoria pediu a condenação da mulher ré nas penas do art. 121, § 2º, inc. III, do Código Penal Brasileiro, em duas vezes (homicídio qualificado, com emprego de veneno).
A defesa por sua vez alegou a semi-imputabilidade da acusada. Alegando que agiu em desespero, a mãe das meninas afirmou em plenário que é solteira, tem três filhos, estudou até a sexta série e que, no período em que esteve foragida, residiu em Anápolis/GO, onde trabalhava como empregada doméstica.
Os jurados votaram afirmativamente quanto à autoria e materialidade do crime, mas também acataram a tese da defesa e consideraram a semi-imputabilidade da mãe. Um incidente de insanidade mental comprovou que Valéria, durante os fatos, sofria de perturbação da saúde mental e não possuía a completa capacidade de entender o caráter criminoso de sua ação.
Para a juíza que presidiu a sessão de julgamento, “o convívio da ré em sociedade não era de todo desajustado. Os motivos do crime situam-se dentre aqueles em que os sentimentos próprios e pessoais, na dinâmica dos fatos, levam, em tais situações, a tal desfecho, mas que não os justificam”.
Coquetel
No Paraná, um menino de um ano foi vítima de envenenamento pelo próprio pai. O caso aconteceu no último domingo (28/6) no município de Fazenda Rio Grande. De acordo com a Polícia Militar, Julio Cezar Santana e um outro homem que morava com ele fizeram um coquetel à base de drogas, medicamentos de venda restrita e veneno de rato. A idéia era que os dois homens e a criança morressem envenenados.
O crime teria acontecido após os dois combinarem com uma amiga que receberiam sua visita. Ao chegar na casa e notar que algo estava errado, a mulher acionou a polícia. Após arrombarem a porta, os policiais acharam o bebê morto e os homens inconscientes. Ambos foram submetidos a uma lavagem estomacal e passam bem. Assim que receberem alta, eles serão apresentados na delegacia da cidade. O pai da criança estava separado da mãe e ficava com o filho nos fins de semana.
Para você, até que ponto o desespero é capaz de motivar atos normalmente impensados?
Com informações do TJDFT e da Central Gazeta de Notícias (PR)
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