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15/10/2009  - O promotor do júri
 
César Danilo Ribeiro de Novais, promotor de Justiça (MT) e editor do blog www.promotordejustica.blogspot.com.

Em O Homem Medíocre, ensinou José Ingenieros:

Os idealistas românticos são exagerados, porque são insaciáveis. Sonham mais, para realizar o menos; compreendem que todos os ideais contêm uma partícula de utopia, e perdem alguma coisa, quando os realizam: de raças ou indivíduos, nunca se integram como se pensam. Em poucas coisas o homem pode chegar ao ideal que a imaginação assinala: sua glória está em mandar em direção dele, sempre inatingido e inatingível. Disse mais: Quando colocamos a proa visionária na direção de uma estrela qualquer e nos voltamos às magnitudes inalcançáveis, no afã de perfeição e rebeldes à mediocridade, levamos dentro de nós, nesta viagem, a força misteriosa de um ideal. Quem deixa essa força se apagar, ficando simplesmente inerte, não passa da mais gelada bazófia humana. (...) O ideal é um gesto do espírito em direção a alguma perfeição.

Resumindo, todo ideal é exagerado. Precisa sê-lo.

Após mais de duas décadas atuando pela defesa da vida e da sociedade na magna instituição do Tribunal do Júri, no dia 1º de outubro de 2009, Edilson Mougenot Bonfim, titular de mente brilhante e de retórica arrebatadora, “aposentou-se” como Promotor de Justiça, por força de promoção ao cargo de Procurador de Justiça do Ministério Público paulista.

Livre de qualquer saudosismo, não é exagero – mas a mais pura verdade – afirmar que Edilson Mougenot Bonfim foi tão importante para o Tribunal do Jurado e ao Ministério Público como foi Roberto Lyra, apodado por príncipe dos promotores. Dois príncipes, cada um a seu tempo.

O Promotor do Júri por excelência, Edilson Mougenot Bonfim é paradigma a ser perseguido por todos que têm o privilégio de ocuparem a Tribuna da Sociedade.

Há uma síntese de Buffon de que o estilo é o homem, isto é, na escrita e na palavra oral se exterioriza a personalidade. Falando ou escrevendo, Edilson Mongenot Bonfim é um gênio. Essa também foi a conclusão do grande defensor Waldir Troncoso Peres ao afirmar que Edilson Mougenot Bonfim chega à genialidade (in prefácio ao livro O julgamento de um serial killer – O caso do maníaco do parque”, São Paulo: Malheiros).

Edilson Mougenot Bonfim, um Promotor de Justiça dotado de ideal radical (e não sectário), firmado nas raízes, despido de convicções rasas, superficiais, medíocres, que sempre pautou suas ações e posturas pela solidez, liberto da indefinição dissimulada e das certezas medíocres.

Somos o que fazemos. Nos dias em que fazemos, realmente existimos: nos outros duramos, disse o grande Antônio Vieira. Edilson Mougenot buscou e fez por existir como Promotor de Justiça. Um exemplo a ser mirado e seguido. Não um, mas o Promotor do Júri.


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