O julgamento do ex-deputado Talvane e de seus ex-assessores, acusados como mandante e executores da Chacina da Gruta, serviu também para ressuscitar a credibilidade do júri popular.
Omar Coelho, presidente da OAB/AL, foi preciso ao qualificar o julgamento de um ‘marco’ na história de Alagoas, e o foi porque – como disse – antes, só os pobres se sentavam no ‘banco dos réus’.
O Tribunal do Júri é o instrumento mais liberal e democrático para fazer justiça, para arbitrar punições aos que, de forma dolosa, ultrajam a sociedade atentando contra a vida das pessoas.
Formado por membros do convívio social, o júri evoluiu. Para preservar os conselheiros de sentença, a votação deixou de ser conclusiva, ou seja, quando se encaminha para um veredicto sem chance de reversão, o julgamento se encerra.
Desse modo – e foi o que ocorreu no júri de Talvane e seus antigos parceiros – torna-se impossível saber quem votou. A fórmula engenhosa preserva a integridade física dos jurados.
O júri popular precisa de mais evidência, mais visibilidade. Para isso, claro, a justiça tem que agilizar os processos relativos a crimes de morte, remetendo-os a julgamento. Ao absolver inocentes e condenar culpados, o júri faz justiça em nome da sociedade.
O de Talvane, como sentenciou Omar Coelho, foi emblemático porque, ainda que tardiamente, permitiu que a sociedade julgasse um personagem influente – médico, político e empresário.