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20/08/2010  - Entrevista: Francisco Cembranelli para o jornal Zero Hora
 
“Testemunhos são falhos. Provas científicas, não”

ENTREVISTA: Francisco Cembranelli, promotor de Justiça em SP - Jornal Zero Hora - RS

O promotor paulistano Francisco Cembranelli, 49 anos, já era consagrado em mais de mil júris quando virou celebridade ao liderar as investigações de um dos casos mais rumoroso da década, a morte de Isabella Nardoni, cinco anos. Uma das atrações do Encontro Nacional dos Promotores do Júri e do Encontro Estadual do Ministério Público, em Gramado, ele conversou com ZH por e-mail:

Zero Hora – O senhor conseguiu condenar o casal Nardoni pela morte de Isabella sem testemunho visual do homicídio e sem confissão. O que mudou para permitir essa condenação?

Francisco Cembranelli – A maioria dos crimes não conta com testemunhas presenciais nem confissões. Conseguimos provas científicas, umas melhores do que outras, para convencer o júri. As perícias técnicas estão se modernizando.

ZH – Em Porto Alegre temos um caso (assassinato do Eliseu Santos, secretário municipal de saúde) em que os réus estão presos sem testemunho visual, sem telefonemas que os comprometam e sem confissão. Gostaria que o abordassse esse tipo de júri.

Cembranelli – Existem outros meios para provar o que a acusação alega. Testemunhos, muitas vezes, são falhos. Provas científicas, não. O importante é evoluirmos e não ficarmos tentando conseguir condenações como se estivéssemos nos anos 60, com fotografias em preto e branco e discursos bonitos (e vazios de conteúdo probatório).

ZH – Que mudanças pelas quais passou ou passará o júri?

Cembranelli – Existe um projeto no Congresso prevendo mudanças. Pensam em aumentar os jurados para oito (hoje são sete que decidem o destino do réu) e permitir que eles conversem antes da votação. Não sou muito simpático a isso, a não ser que o MP tenha o seu papel aumentado na investigação, mais mobilidade para produzir a prova, a estrutura das polícias científicas cresça e outros avanços. Do jeito que querem fazer, a perplexidade da sociedade com a impunidade só vai crescer.

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