A Justiça marcou para a próxima terça-feira o julgamento do estudante Leonardo Rodrigues Jaune, de 24 anos, pelo assassinato do advogado Anderson Eustáquio da Costa, crime que teve requintes de crueldade e ganhou repercussão nacional. A execução ocorreu em 29 de junho de 2004, em Cuiabá. O julgamento acontece a partir das 13h30, na 1ª Vara Criminal da Capital, presidido pela juíza Mônica Catarina Perri de Siqueira. O júri popular estava marcado inicialmente para setembro, mas teve que ser adiado.
Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), o julgamento obedecerá a nova lei criada para dar mais celeridade ao trâmite processual dos crimes contra a vida. “Não haverá mais cópia dos depoimentos, que serão gravados. O tempo da acusação e defesa será reduzido e os jurados terão que optar entre culpado ou inocente para o réu”, adiantou o promotor criminal João Augusto Gadelha.
Leonardo será julgado como participante do assassinato e da ocultação do cadáver do advogado. A vítima foi morta com dois tiros de revólver e ainda teve o abdômen cortado com uma faca. Em seguida, foram jogadas pedras no interior do corpo para que afundasse na lagoa do Jatobá, no Coxipó, e nunca mais fosse localizado. O assassinato ocorreu em Cuiabá e o cadáver foi localizado cerca de dois meses depois. Em novembro de 2006, o processo chegou às alegações finais e Jaune teve a prisão decretada.
Leonardo teria participado da execução de Anderson por acreditar que a morte de sua irmã, Taíssa Jaune, teve como fator determinante a atitude do advogado, que foi a última pessoa com quem ela esteve antes de cair do quinto andar do edifício onde morava, na avenida Rubens de Mendonça, no dia 26 de junho de 2005.
Leonardo, por sua vez, nega a participação no assassinato do advogado. Ele admitiu que se encontrou com Anderson, mas o deixou próximo do apartamento onde a vítima morava e não mais o viu.
Como indício contra o estudante há a quebra do sigilo telefônico. Enquanto Leonardo disse que não ficou mais de 20 minutos com Anderson na região da avenida Rubens de Mendonça, o espelho das ligações aponta que, nesse mesmo horário de que fala Leonardo, o advogado recebeu uma chamada processada pela estação de rádio base (ERB) do Distrito Industrial.