Após cerca de nove horas de julgamento, o mototaxista Wilson Campos da Silva, de 45 anos, foi condenado a 14 anos e dois meses de prisão pelo assassinato da ex-esposa, Lucineide Alves Dias, então com 42 anos. O crime passional (motivado por paixão) ocorreu no dia 25 de janeiro de 2008, na residência da mulher, no Jardim Gramado, em Cuiabá. O julgamento ocorreu pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá, presidido pela juíza Mônica Catarina Perry de Siqueira.
Ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado - meio cruel (asfixia e enforcamento) e recurso que dificultou a defesa por parte da vítima. Ele foi condenado por quatro votos a três. Entre os sete jurados, cinco são mulheres. Ainda cabe recurso.
Segundo o promotor criminal João Augusto Gadelha, que atuou no julgamento, a pena teve o agravante de a vítima e o réu não conviverem sob o mesmo teto. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o casal tinha duas filhas. No dia do crime, eles se encontravam separados de fato havia aproximadamente um mês e o motataxista já convivia com outra mulher.
Wilson teria entrado na casa da vítima pelos fundos e, no momento em que Lucineide chegou, ele a teria acusado de ter um amante, iniciando-se uma discussão. A tensão aumentou a ponto de a vítima pegar o telefone para ligar para a polícia, pois temia algo pior.
Exaltado, Wilson teria arrancado o fio da tomada e, em seguida, dominado a vítima, derrubando-a no chão. Wilson teria asfixiado a ex-esposa até a morte. Ele tentou fugir, mas, horas depois, no início da madrugada, ele foi preso pilotando sua motocicleta Honda 150cc próximo ao Trevo do Lagarto, em Várzea Grande.
Após o assassinato, a filha do casal entrou na casa com o namorado para tomar um copo d’água. Assim que abriu a porta, deparou-se com a mãe caída. Em conversa com policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a filha contou que viu o pai saindo da casa minutos antes e pilotando a motocicleta.
Os policiais, então forneceram o número da placa do veículo que foi localizado horas depois. A princípio, Wilson negou o crime, mas, depois acabou confessando. Os policiais descobriram que as medidas protetivas não estavam sendo aplicadas de forma correta.