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O cabo da PM do Rio William de Paula, acusado de matar o menino João Roberto Amorim, de três anos, foi condenado na noite 10 de dezembro a sete meses de prisão, mas a condenação não se refere à acusação de homicídio. O júri foi presidido pelo juiz Paulo Lanzelloti Baldez.
O cabo foi submetido a júri popular e condenado somente pelos crimes de lesão corporal leve contra a mãe Alessandra Amorim Soares e o irmão de João Roberto. O júri absolveu o policial pela morte do menino, que foi baleado em um carro que foi confundido com o de criminosos, em julho passado.
A pena será cumprida em regime aberto. Por se tratar de condenação por crime de pequeno potencial ofensivo, cabe a suspensão da pena, ante a prestação de serviços à comunidade, sete horas por dia, durante um ano. O Ministério Público informou que vai recorrer da decisão porque entende que a condenação é contrária às provas apresentadas.
O soldado Elias Gonçalves, também acusado no caso, será julgado no próximo dia 15.
Durante o julgamento, o cabo PM William negou ter atirado contra o menino e disse que deu apenas tiros de advertência contra o pneu e o porta-malas do veículo. À Justiça ele alegou ainda que, mesmo tendo atirado contra o carro da mãe de João Roberto, disparou dois tiros de advertência por considerar se tratar de criminosos. Afirmou também que "agiu com cautela, por isso, evitou a morte do irmão e da mãe do menino, que também estavam no veículo".
O cabo admitiu ter confundido o carro da família com o dos suspeitos. "Achei que era o Fiat Stilo, carro onde estavam supostos criminosos em fuga. Mesmo assim, consegui evitar o pior", disse. "Eu confundi o carro e só vi o símbolo da Fiat."
Ele relatou ao juiz Baldez ter ficado emocionalmente abalado ao ver o menino baleado. "Não tive nem forças para tirar a criança do carro. Fiquei traumatizado porque sou pai de família."
No julgamento, que começou às 11h desta quarta-feira, a mãe de João Roberto foi a primeira a ser ouvida. Segundo Alessandra, o carro em que estava Willian e o outro policial acusado, Elias da Costa Neto, aproximou-se de seu veículo em alta velocidade e disparou vários tiros. Ela disse que encostou o seu carro para a polícia passar, mas percebeu que o alvo dos tiros era o seu carro.
Para evitar mais disparos e mostrar que havia crianças no carro, ela jogou uma bolsa de bebê para fora do carro. Além de Alessandra, testemunharam o coronel Rogério Leitão, relações públicas da PM, e Maurício Augusto, que assistiu parte da ação da janela de seu apartamento.
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