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08/12/2008  - MT: Ex-PM pega condenação de 17 anos
 
Diário de Cuiabá - MT

Após 13 horas de julgamento, o ex-policial militar Rutênio Pires de Miranda foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão pelo assassinato do chacareiro Márcio Aurélio Leocádio Rosa, crime ocorrido em agosto de 2005, na cidade de Santo Antônio de Leverger (a 27 quilômetros de Cuiabá). O julgamento começou às 8h30 de quinta-feira e só terminou por volta das 21h30. O ex-militar foi sentenciado por homicídio qualificado – motivo torpe - e ocultação de cadáver.

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), o depoimento do delegado Gerson Pereira, que investigou, o crime foi decisivo. Em seu relato, o delegado percebeu que estava sendo seguido pelo militar por várias vezes. “Os jurados levaram em consideração o depoimento do delegado”, informou o promotor criminal João Augusto Gadelha.

Além disso, o MPE constatou que houve ameaça aos jurados. O PM Evaldo, que está preso, é namorado da ex-escrevente Beatriz Árias, condenada pelo assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral. Quando a prenderam, no ano passado, policiais civis apreenderam na casa dela uma lista com os nomes dos jurados, incluindo anotações e indicações junto com documentos e papéis referentes a cada um deles. Esta lista, segundo o MP, comprometeria o julgamento e, por isso, foi solicitada a mudança de comarca.

Márcio Rosa foi levado de sua casa por três pessoas no dia 27 de agosto de 2005, em Santo Antônio de Leverger. Os acusados, segundo depoimentos de um casal que também foi vítima de agressões, buscavam um homem identificado como Donizete, que teria roubado uma moto Biz preta do PM Rutênio.

O ex-policial foi reconhecido pelo casal alguns dias depois, quando trabalhava como soldado na cidade. Preso no presídio de Santo Antônio, ele foi denunciado por roubo e ameaça.

A ossada da vítima foi localizada no dia 31 de outubro de 2006, numa chácara pertencente aos irmãos do soldado Rutênio. Os irmãos do PM acusado, Evaldo Santana de Miranda e Samil Pires de Miranda, moradores da chácara onde a polícia achou a ossada e armas, também foram denunciados por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e acessório ou munição de uso proibido ou restrito.

Na ocasião, a Polícia Civil encontrou na casa de Samil um grande arsenal: uma pistola Taurus 7.65 carregada, uma carabina calibre 44, um revólver calibre 22, um revólver calibre 357, dois silenciadores, um capuz, duas miras (uma a laser), entre outros objetos.

Em setembro, o irmão de Rutênio, o também PM Evaldo Santana de Miranda, foi condenado a 12 anos de prisão pela participação na execução do chacareiro. O julgamento foi transferido de comarca porque a Justiça entendeu que havia risco para os jurados de Leverger, cidade onde o assassinato foi cometido.

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