Obra: Matar ou morrer - caso Euclides da Cunha;
Autora: Luiza Nagib Eluf;
Editora: Saraiva;
Resumo de autoria do veículo "Paraná On Line":
O tempo, mesmo que decorram os séculos, pode influir na sociedade, porém, tão apenas no que possa a evolução tecnicamente oferecer, mas não muda o homem no que é fertilizado nos seus sentimentos, isso no complexo tema relativo aos crimes passionais. Pois, impactante fato, consumado nos primórdios de 1900 e suas matizes, internam-se na mesma densidade dos episódios que se encaram, ainda, nos dias correntes.
No caso em que se vai motivar a apresentação de livro que traduz no seu contexto a história real amorosa, e forte didática-doutrinária, de um crime contra a vida e os seus passos em julgamento pelo Tribunal do Júri, tem no centro do cenário o imortal Euclides da Cunha, literato-herói e que deixou, como legado, Os sertões, épico que terá sobrevivência eterna.
Conseguiu-se na obra, como nobre projeto de um grande homem, demonstrar a personalidade de Euclides da Cunha, fora da sua grandeza intelectual, pois, analisando-se a sua conduta, à frente do cruel momento da traição no casamento.
Uma narrativa com ecos refletivos, coloca à certeza que os tempos não mudaram e que, em princípios de 1900, o clamor trazia arroubos "explosivos", sendo que a condenação pública, como de regra, antecipava uma condenação que, no caso não se transpôs à consciência do justo, operada em julgamento popular (Tribunal do Júri).
Euclides da Cunha, traído por sua mulher, teve morte trágica quando orçou-se o princípio da legítima defesa, como excludente de ilicitude, numa batalha judicial que, inclusive, contou com a energia de membro do Ministério Público (promotor), talentoso e implacável quanto ao efeito substancial, dessa soberana instituição.
Esse acervo histórico-jurídico consta de um livro agradável pelo que representa no campo da pesquisa diligenciada pelo engenho que marca a figura da jurista Luiza Nagib Eluf, procuradora da Justiça do Ministério Público de São Paulo, já com obras nas estantes, e entre outras, a Paixão no banco dos réus, editada pela Saraiva.
Oportuniza dizer que a autora entusiástica garimpeira que tem, nos delitos passionais, o seu direcionamento, com autoridade incomum, autografou Matar ou morrer O caso Euclides da Cunha, segmentando numa forma elegante o expositivo do episódio. Modelou simplicidade nas expressões comunicativas, tendo a preocupação de transmitir ao leitor, a rela índole de Euclides da Cunha, pois, nos parâmetros do homem de família, distinto do que, no demais, brindou o seu tempo de vida, com a imagem de um venerando talento pátrio.
A doutora Luiza Nagib Eluf, através da Editora Saraiva, presta relevante serviço à história de um homem famoso, ao tempo em que, com traços nítidos, deu dicção jurídica à instituição (perene) do júri, pois, foi aos meandros do processo, processo este, que teve como conseqüência a absolvição do algoz de Euclides, e, mostrou que o crime passional é crime de alma quando a alma, só tem, em Deus, o seu amparo, no tom filosófico de Manuel Bandeira.
A obra mostra que a imprensa, como geratriz de tudo que acontece na sociedade, não é incondicionalmente contra a vítima, como, em 11 de outubro de 1946, Acélio Duarte escreveu em jornal de Porto Alegre (vide página 105/106).
De último, a autora sobrepõe-se no valor de as percepção jurídica, ao estipular, no volume, conciso estudo didático, doutrinário e jurisprudencial o instituto da legítima defesa, com brados pretorianos (ementas) de sua validade ou de sua ineficácia.
Pois, o crime passional, no demais, está posto no livro, com a intensidade que bem o merece.
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